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Sua vaga de tecnologia está aberta há 60 dias. O problema não é o mercado.

person calendar_today 25/09/2026
1 em cada 4 vagas de tecnologia está parada há mais de 60 dias no Brasil - HUNT IT

Se você está lendo isto, provavelmente tem uma vaga de tecnologia aberta há mais tempo do que gostaria. Já ouviu do RH que o mercado está difícil, já aumentou a faixa uma vez, já pediu para o time indicar alguém. E a cadeira continua vazia.

A boa notícia é que você não está sozinho. A má é que a explicação mais comum para isso está errada.

Nós medimos.


O que encontramos em 1.200 vagas de tecnologia

A HUNT IT monitora diariamente as vagas de tecnologia publicadas em job boards no Brasil. No momento desta análise, tínhamos 1.200 vagas ativas na base, com a data real de publicação de cada uma — não uma estimativa, não uma pesquisa de intenção: a data exata em que o anúncio entrou no ar.

O tempo típico de uma vaga de tecnologia aberta é de cerca de 24 dias (tempo mediano). Esse é o número que importa para a maioria: pouco mais de três semanas entre publicar e sair do ar.

O problema está na cauda.

Tempo em abertoVagasFatia do Mercado
Menos de 30 dias66055,0%
30 a 59 dias23119,3%
60 a 89 dias13110,9%
90 a 179 dias (3 a 6 meses)14111,8%
180 dias a 1 ano100,8%
Mais de 1 ano (“Vagas Zumbi”)272,3%

Uma em cada quatro vagas de tecnologia ativas no Brasil está aberta há mais de 60 dias. São 309 das 1.200 posições analisadas.

Uma em cada sete passou dos 90 dias. E 27 delas — quase 2,5% do total — estão no ar há mais de um ano. Encontramos anúncios de arquiteto de software e de desenvolvedor front-end sênior publicados em 2022 e nunca retirados.

Se a sua vaga está em uma dessas faixas, ela não é uma exceção azarada. Ela é um padrão.

A explicação que não se sustenta

“Não tem profissional de tecnologia disponível no mercado.”

É a frase que circula em toda reunião de contratação travada. E os dados a contradizem em duas frentes.

Primeira: não falta gente empregável. O IBGE mede a taxa de desocupação em 5,3% — a menor da série histórica desde 2012 — e 39,4 milhões de brasileiros com carteira assinada no setor privado, também recorde. Não há um estoque de profissionais parados esperando o seu anúncio, é verdade. Mas isso não é escassez: é mudança de canal. O profissional que resolve a sua vaga está empregado, entregando, e não está olhando página de carreiras. Ele não vai se candidatar espontaneamente. Ele precisa ser ativamente abordado.

Segunda, e essa é a mais reveladora: se o gargalo fosse escassez de talento qualificado, as vagas mais sêniores travariam muito mais que as demais. Não é o que os números mostram.

SenioridadeVagas AtivasTravadas (+60 dias)
Especialista / Principal20822,1%
Sênior36623,2%
Pleno21924,2%

Vaga de pleno trava praticamente na mesma proporção que vaga de especialista. A diferença entre as três faixas é de dois pontos percentuais — ruído estatístico, não tendência.

Isso desmonta o argumento da escassez. Se a causa fosse a raridade do profissional, a curva seria acentuadamente inclinada: especialista travando muito, pleno travando pouco. A curva é plana. O que trava a vaga não está no mercado. Está no processo.

No núcleo técnico — pleno, sênior e especialista somados — são 793 vagas ativas, das quais 184 estão paradas há mais de dois meses. Cento e oitenta e quatro times de engenharia trabalhando com uma cadeira vazia agora.

Os cinco motivos reais de uma vaga travar

Depois de quinze anos, só em tecnologia, os padrões se repetem. Veja se algum descreve a sua situação atual:

1. O descritivo pede o que a faixa não compra

Sete anos de experiência, três stacks complexas, inglês fluente, disponibilidade para o modelo presencial — pagando a faixa de um pleno. A vaga não está difícil: ela está impossível como foi escrita. O sintoma clássico é você receber currículo suficiente e reprovar quase todos logo na primeira conversa técnica. Vemos isso frequentemente ao buscar perfis especializados em stacks como desenvolvedores Java, desenvolvedores .NET e desenvolvedores Python.

2. A faixa salarial está no ano passado

O salário médio de admissão no Brasil subiu 2,04% acima da inflação em doze meses, segundo dados oficiais do Caged. Em tecnologia, faixas de stacks disputadas subiram ainda mais. Se a sua referência é o que você pagou na última contratação da mesma posição há 12 ou 18 meses, ela está defasada perante as faixas praticadas no mercado. O sintoma é o candidato bom avançar até a etapa final e recusar a oferta — ou aceitar e pedir contraproposta em menos de três meses.

3. O processo é mais longo que a janela do candidato

Um bom profissional de tecnologia que decide se movimentar sai do mercado em 15 a 20 dias. Se o seu processo interno tem quatro etapas, teste técnico extenso para casa e uma semana de intervalo entre cada fase, você está sistematicamente perdendo os melhores para quem decide rápido. O sintoma é o candidato desistir no meio do caminho — e ele quase nunca revela o motivo real por polidez.

4. O anúncio em job boards é o único canal

Anúncio alcança quem está ativamente procurando emprego. E quem resolve a sua vaga com excelência, na maioria absoluta das vezes, está empregado e gerando valor em outro lugar. O sintoma é volume baixo de inscrições, ou enxurrada de currículos completamente fora do perfil. Em ambos os casos, a falsa conclusão interna é “não tem gente” — quando na verdade o erro foi a dependência exclusiva do canal passivo.

5. Ausência de validação técnica antes da entrevista com o time

Sem uma triagem especializada que separe senioridade real de senioridade declarada em currículo, a agenda dos seus líderes técnicos fica sobrecarregada de entrevistas improdutivas. O sintoma é o seu Tech Lead perdendo 6 a 8 horas por semana entrevistando candidatos desalinhados — gerando gargalo operacional porque os engenheiros deixam de codificar para conduzir triagens básicas.

O que custa manter a cadeira vazia

A conta financeira que quase nenhuma liderança faz não é o custo de contratar. É o custo de não ter contratado.

Uma posição crítica de engenharia parada há três meses significa um produto que atrasou, entregas do roadmap replanejadas e a equipe atual absorvendo uma carga de trabalho insustentável. Some o custo de oportunidade daquilo que a empresa deixou de faturar ou inovar ao custo oculto do desgaste: horas extras, queda na qualidade do código e o risco real de perder outro desenvolvedor sênior por esgotamento (burnout).

Em praticamente todos os cenários econômicos que calculamos com nossos clientes, o custo de dois meses de uma cadeira sênior vazia supera com folga o investimento em contratar apoio especializado para preenchê-la logo no primeiro mês.

Cinco movimentos para as próximas duas semanas

Nenhuma das medidas abaixo exige a contratação imediata de fornecedores externos. São ações práticas que a sua liderança pode executar internamente a partir de hoje:

  1. Releia o descritivo como se fosse um candidato: Marque com rigor apenas o que é mandatório para o dia a dia da entrega. Tudo o que sobrou é desejável — transfira para o campo de diferenciais ou remova para não afugentar profissionais sólidos.
  2. Confira a faixa salarial contra o mercado em tempo real: Não use o histórico da empresa. Consulte pessoas ativas na mesma stack e senioridade e pergunte qual patamar salarial as faria considerar uma proposta hoje.
  3. Cronometre os dias do seu funil: Conte os dias corridos entre o primeiro contato e o envio da carta-oferta. Se o ciclo ultrapassar 20 dias, elimine etapas redundantes — frequentemente há duas fases avaliando as mesmas competências.
  4. Aborde ativamente 20 profissionais que não se candidataram: Busque no LinkedIn com foco em tecnologias e empresas do mesmo setor, não apenas títulos genéricos. Essa é a virada entre esperar passivamente e fazer hunting ativo. Se a demanda for contínua, uma estrutura de RPO Tech resolve esse fluxo com previsibilidade.
  5. Implemente uma triagem técnica prévia: Uma checagem de 20 minutos focada em fundamentos práticos de código poupa horas preciosas da equipe sênior interna.

Uma nota sobre como medimos

Os dados apresentados são provenientes de vagas de tecnologia publicadas em plataformas e job boards brasileiros, coletadas e datadas pela base da HUNT IT. Não é o mercado inteiro do Brasil e não deve ser interpretado como tal — trata-se de uma amostra de 1.200 vagas ativas, representativa o suficiente para demonstrar padrões claros de comportamento no canal público de contratação de TI.

Duas ressalvas de honestidade analítica: parte das vagas que ultrapassam um ano em aberto correspondem a anúncios esquecidos pelas empresas nos portais de ATS, e não a processos que seguem em andamento ativo — razão pela qual adotamos a mediana (24 dias) e a estratificação por faixas de tempo, evitando a distorção da cauda longa. Além disso, posições de nível júnior exibem proporção mais longa (39,5% acima de 60 dias) por motivos operacionais distintos: costumam compor processos contínuos de formação e entrada de grandes corporações.

Se a sua vaga já passou de 60 dias

A essa altura, a solução não virá de impulsionar mais um anúncio ou esperar o currículo ideal cair na caixa de entrada. É preciso ir a campo buscar quem está entregando resultados e não está no mercado — com triagem capaz de distinguir quem apenas fala bem daquele que entrega software escalável.

É exatamente isso que a HUNT IT realiza há mais de 15 anos com exclusividade no setor tecnológico, apoiando empresas de São Paulo, Porto Alegre e de todo o Brasil.

Se a sua posição técnica está travada, descreva a sua vaga para os nossos especialistas. Devolvemos uma leitura franca: os gargalos do descritivo, a calibragem da faixa perante o mercado e quantos talentos validados nessa stack já estão no nosso radar de hunting.


Perguntas Frequentes sobre Vagas de Tecnologia Travadas (FAQ)

Quanto tempo em média uma vaga de tecnologia leva para ser preenchida no Brasil?

Na base medida pela HUNT IT com 1.200 vagas ativas, a mediana de tempo em aberto é de 24 dias. No entanto, 25,8% de todas as posições ativas estão travadas há mais de 60 dias e 14,9% superam 90 dias sem fechamento.

Por que vagas de TI demoram tanto para fechar se há profissionais no mercado?

Os dados mostram que a curva de senioridade é plana: vagas de Pleno travam a 24,2%, Sênior a 23,2% e Especialistas a 22,1%. O gargalo não é escassez absoluta de candidatos, mas processos longos (acima de 20 dias), descritivos com requisitos incompatíveis, faixas salariais descalibradas e dependência de anúncios passivos.

Qual é o custo real de manter uma vaga de TI em aberto?

O maior custo não é o processo seletivo, mas o prejuízo da vaga vazia: entregas de roadmap atrasadas, sobrecarga da equipe existente, horas extras e risco iminente de perda de outros engenheiros por exaustão.

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